Outubro Rosa: por que a prevenção do câncer de mama é tão importante?

Por Daniel Caramanti Júnior  
Farmacêutico | CRF-SP 122729

Todos os anos, o mês de outubro ganha uma cor especial para lembrar um assunto que merece atenção durante todo o ano: a saúde das mamas.

O Outubro Rosa é um período dedicado à conscientização sobre o câncer de mama, uma das doenças que mais afetam as mulheres. Mais do que falar sobre a doença, a campanha reforça a importância de conhecer os fatores de risco, adotar hábitos que contribuam para a saúde e, principalmente, manter o acompanhamento médico e os exames recomendados.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 78.610 novos casos de câncer de mama feminina por ano no Brasil para o triênio de 2026 a 2028. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras.

Por isso, informação e cuidado fazem parte dessa conversa.

O que é o câncer de mama?

O câncer de mama ocorre quando células da mama passam a se multiplicar de maneira descontrolada, podendo formar um tumor.

É uma doença multifatorial, ou seja, não existe uma única causa responsável pelo seu desenvolvimento. Diversos fatores podem aumentar o risco, incluindo características individuais, fatores hormonais e reprodutivos, genética, idade e alguns hábitos de vida.

Embora seja mais comum em mulheres, o câncer de mama também pode ocorrer em homens. Por isso, alterações nas mamas devem ser avaliadas por um profissional de saúde independentemente do sexo.

Por que falar sobre prevenção do câncer de mama?

Nem todos os fatores relacionados ao câncer de mama podem ser modificados. A idade, por exemplo, é um dos principais fatores de risco, e o risco da doença aumenta com o envelhecimento. Cerca de quatro em cada cinco casos ocorrem após os 50 anos.

Por outro lado, existem fatores relacionados ao estilo de vida que podem ser modificados.

Segundo o INCA, medidas como praticar atividade física, manter o peso corporal adequado, ter uma alimentação saudável e evitar o consumo de bebidas alcoólicas podem contribuir para reduzir o risco de desenvolver câncer de mama.

Isso não significa que esses hábitos impeçam completamente o surgimento da doença. A prevenção busca reduzir riscos e promover mais saúde ao longo da vida.

Quais são os principais fatores de risco?

Os fatores associados ao aumento do risco de câncer de mama podem ser diferentes de uma pessoa para outra.

Entre os principais estão:

  • Idade, especialmente a partir dos 50 anos;
  • Histórico familiar e fatores genéticos ou hereditários;
  • Determinados fatores hormonais e relacionados à história reprodutiva;
  • Inatividade física;
  • Excesso de peso ou obesidade, especialmente após a menopausa;
  • Consumo de bebidas alcoólicas;
  • Exposição à radiação ionizante;
  • Alguns fatores relacionados à terapia hormonal após a menopausa.

Ter um ou mais fatores de risco não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá câncer de mama. Da mesma forma, pessoas sem fatores de risco conhecidos também podem desenvolver a doença.

Por isso, o acompanhamento de saúde continua sendo importante para todas as mulheres.

Detecção precoce: por que ela é tão importante?

Quando falamos em câncer de mama, prevenção e detecção precoce são conceitos relacionados, mas diferentes.

A prevenção busca diminuir a possibilidade de desenvolvimento da doença por meio da redução de fatores de risco modificáveis.

Já a detecção precoce busca identificar alterações suspeitas o quanto antes. Segundo o INCA, ela envolve duas estratégias principais: o diagnóstico precoce de pessoas que apresentam sinais ou sintomas e o rastreamento de pessoas sem sinais ou sintomas, de acordo com as recomendações estabelecidas.

A identificação de alterações em fases iniciais pode favorecer o encaminhamento rápido para investigação e tratamento adequado.

Quais alterações nas mamas merecem atenção?

Conhecer o próprio corpo também faz parte do cuidado.

Alguns sinais ou alterações nas mamas devem ser avaliados por um profissional de saúde, como:

  • Caroço ou nódulo persistente na mama;
  • Alteração no formato ou tamanho da mama;
  • Mudanças na pele, como retração ou aspecto semelhante à “casca de laranja”;
  • Alterações no mamilo;
  • Saída espontânea de secreção pelo mamilo;
  • Nódulo ou alteração na região das axilas.

A presença de uma alteração não significa necessariamente câncer. Existem diversas condições benignas que podem causar mudanças nas mamas. Entretanto, qualquer alteração nova ou persistente merece avaliação profissional.

Mamografia: quando o exame é indicado?

A mamografia é um dos principais exames utilizados no rastreamento do câncer de mama.

No Brasil, as diretrizes do Ministério da Saúde recomendam a mamografia de rastreamento para mulheres de 50 a 69 anos, a cada dois anos, para aquelas que não apresentam sinais ou sintomas.

Essa recomendação se refere ao rastreamento populacional. Mulheres com sintomas, histórico familiar importante ou outros fatores de risco podem precisar de uma avaliação individualizada, com definição de exames e acompanhamento conforme orientação do profissional de saúde.

Por isso, não é indicado escolher a frequência dos exames apenas com base na idade ou em informações encontradas na internet.

O que você pode fazer pela sua saúde?

O Outubro Rosa é um convite para transformar informação em cuidado durante o ano inteiro.

Algumas atitudes importantes incluem:

  1. Mantenha suas consultas de saúde em dia.
  2. Converse com seu médico sobre seu histórico familiar e seus fatores de risco.
  3. Realize os exames recomendados para o seu perfil.
  4. Pratique atividade física regularmente.
  5. Busque manter um peso corporal adequado.
  6. Tenha uma alimentação equilibrada.
  7. Evite o consumo de bebidas alcoólicas.
  8. Esteja atenta a alterações nas mamas e procure atendimento quando necessário.

Pequenas atitudes de cuidado podem fazer parte de uma rotina mais saudável.

Outubro Rosa: cuidado que continua depois de outubro

O Outubro Rosa é importante porque amplia o acesso à informação e lembra que cuidar da saúde não deve acontecer apenas durante um mês do ano.

O câncer de mama é uma doença frequente, mas existem medidas que podem contribuir para a redução de riscos e estratégias importantes para favorecer a detecção precoce.

Por isso, aproveite este mês para olhar com mais atenção para a sua saúde, colocar seus cuidados em dia e conversar com profissionais que possam orientar você de acordo com as suas necessidades.

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Referências

  • Instituto Nacional de Câncer (INCA) — Estimativa 2026–2028: dados de incidência do câncer no Brasil e estimativa de 78.610 novos casos de câncer de mama feminina por ano.
  • INCA — Fatores de risco do câncer de mama: fatores relacionados à idade, história reprodutiva, genética, comportamento e ambiente.
  • INCA — Prevenção do câncer de mama: recomendações relacionadas à atividade física, peso corporal, alimentação e consumo de álcool.
  • INCA — Detecção precoce: conceitos de diagnóstico precoce e rastreamento.
  • Ministério da Saúde — Diretrizes para detecção precoce do câncer de mama: recomendação de mamografia de rastreamento para mulheres de 50 a 69 anos a cada dois anos.
  • INCA — Câncer de mama: versão para população:

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