Por Daniel Caramanti Júnior
Farmacêutico | CRF-SP 122729
Você saberia reconhecer os sinais de um AVC? Uma alteração repentina na fala, a perda de força em um dos braços ou um sorriso assimétrico podem ser sinais de uma emergência que exige atendimento imediato.
O Acidente Vascular Cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame, acontece quando o fluxo sanguíneo para uma parte do cérebro é interrompido ou quando um vaso sanguíneo cerebral se rompe. Como consequência, as células cerebrais podem sofrer danos, comprometendo funções como fala, movimento, visão e memória.
Reconhecer os sintomas e buscar atendimento rapidamente pode fazer diferença nas chances de recuperação e na prevenção de sequelas.
Neste artigo, você vai entender quais são os tipos de AVC, como identificar os sinais de alerta, quais fatores aumentam o risco e o que fazer diante de uma suspeita.
O que é AVC?
O Acidente Vascular Cerebral é uma condição neurológica grave que ocorre quando o cérebro deixa de receber adequadamente o sangue necessário para suas funções ou sofre um sangramento devido ao rompimento de um vaso sanguíneo.
O sangue transporta oxigênio e nutrientes essenciais para as células cerebrais. Quando essa circulação é comprometida, os tecidos afetados podem sofrer danos em pouco tempo.
Existem dois tipos principais de AVC:
AVC isquêmico
É o tipo mais comum e ocorre quando uma artéria que leva sangue ao cérebro fica obstruída, geralmente por um coágulo. Com isso, a circulação sanguínea é reduzida ou interrompida em determinada região cerebral.
A obstrução pode estar relacionada à formação de coágulos nos vasos sanguíneos ou à chegada de um coágulo originado em outra parte do organismo.
AVC hemorrágico
Acontece quando um vaso sanguíneo se rompe e provoca sangramento no cérebro ou em suas proximidades.
Entre as possíveis causas estão a hipertensão arterial não controlada e a ruptura de um aneurisma cerebral.
Embora os dois tipos de AVC tenham mecanismos diferentes, ambos exigem atendimento médico de emergência. Somente uma avaliação hospitalar, com exames apropriados, pode determinar o tipo de evento e orientar o tratamento.
Quais são os sintomas do AVC?
Os sintomas do AVC geralmente aparecem de maneira súbita. A pessoa pode estar realizando atividades cotidianas e, de repente, apresentar dificuldades para falar, movimentar um lado do corpo ou enxergar.
Os principais sinais de alerta incluem:
- Fraqueza ou dormência em um lado do corpo: pode afetar o rosto, um braço ou uma perna.
- Alteração na fala: dificuldade para falar, pronunciar palavras ou compreender o que outras pessoas dizem.
- Assimetria facial: um lado do rosto pode ficar caído, especialmente ao sorrir.
- Alterações na visão: perda súbita da visão ou visão embaçada em um ou ambos os olhos.
- Perda de equilíbrio: tontura repentina, dificuldade para caminhar ou perda de coordenação motora.
- Dor de cabeça intensa e súbita: principalmente quando surge sem causa aparente e de forma diferente do habitual.
- Confusão mental: dificuldade repentina para compreender informações ou responder a perguntas.
Atenção: nem todos esses sintomas precisam aparecer ao mesmo tempo. A presença de apenas um sinal súbito já pode indicar um AVC e exige atendimento imediato.
Não espere que os sintomas desapareçam para procurar ajuda.
Como reconhecer um AVC rapidamente?
Uma maneira prática de reconhecer os sinais de alerta é observar três aspectos: rosto, braços e fala.
1. Rosto: observe o sorriso
Peça à pessoa para sorrir. Observe se um lado do rosto parece caído ou se existe assimetria.
2. Braços: verifique a força
Peça à pessoa para levantar os dois braços. Observe se um deles apresenta fraqueza ou cai involuntariamente.
3. Fala: preste atenção à comunicação
Peça à pessoa para repetir uma frase simples. Verifique se a fala está enrolada, se há dificuldade para encontrar palavras ou se a pessoa não consegue compreender a solicitação.
Se houver qualquer uma dessas alterações, ligue imediatamente para o SAMU, pelo número 192.
Essas observações ajudam a reconhecer sinais suspeitos, mas não substituem uma avaliação médica. Não é necessário realizar todos os testes para pedir ajuda.
O que fazer diante de uma suspeita de AVC?
Quando existe suspeita de AVC, cada minuto importa. O atendimento rápido permite que a equipe médica avalie o quadro e determine quais tratamentos podem ser realizados.
Veja como agir:
- Ligue para o SAMU (192): informe os sintomas observados e siga as orientações da equipe de atendimento.
- Anote o horário: registre quando os sintomas começaram ou quando a pessoa foi vista bem pela última vez. Essa informação pode ajudar a equipe médica a definir o tratamento.
- Mantenha a pessoa em segurança: evite que ela caminhe ou se desloque sem auxílio.
- Não ofereça alimentos, líquidos ou medicamentos: a pessoa pode apresentar dificuldade para engolir, aumentando o risco de engasgo. Alguns medicamentos também podem ser perigosos, dependendo do tipo de AVC.
- Não espere para ver se melhora: mesmo que os sintomas desapareçam, procure atendimento de emergência imediatamente.
Não tente baixar a pressão arterial por conta própria nem administre aspirina sem orientação médica. Como o AVC pode ser causado tanto por obstrução quanto por sangramento, a escolha inadequada de medicamentos pode agravar o quadro.
O SAMU funciona 24 horas por dia, e a ligação para o número 192 é gratuita.
O que é um ataque isquêmico transitório (AIT)?
O ataque isquêmico transitório, conhecido como AIT, provoca sintomas semelhantes aos de um AVC, mas geralmente eles desaparecem após um período curto.
Isso acontece devido a uma interrupção temporária do fluxo sanguíneo em uma região do cérebro.
Entre os sinais possíveis estão:
- Fraqueza repentina em um lado do corpo.
- Dificuldade para falar ou compreender.
- Alterações súbitas na visão.
- Tontura ou perda de equilíbrio.
Mesmo que os sintomas desapareçam completamente, o AIT precisa ser avaliado com urgência. Ele pode ser um sinal de alerta para um AVC futuro.
Não ignore sintomas neurológicos repentinos só porque melhoraram espontaneamente. Procure atendimento de emergência.
Quais são os fatores de risco para o AVC?
O AVC pode afetar pessoas de diferentes idades, mas alguns fatores aumentam a probabilidade de sua ocorrência.
Entre os principais estão:
- Hipertensão arterial: a pressão alta não controlada é um dos fatores de risco mais importantes.
- Diabetes: níveis elevados de glicose no sangue podem prejudicar os vasos sanguíneos.
- Colesterol elevado: pode contribuir para a formação de placas nas artérias.
- Tabagismo: aumenta o risco de problemas cardiovasculares e cerebrovasculares.
- Sedentarismo: a falta de atividade física contribui para outros fatores de risco.
- Sobrepeso e obesidade: podem estar associados à hipertensão, ao diabetes e a alterações metabólicas.
- Consumo excessivo de álcool: está relacionado ao aumento do risco cardiovascular.
- Algumas doenças cardíacas: condições como a fibrilação atrial podem favorecer a formação de coágulos.
- Idade e histórico familiar: o risco tende a aumentar com a idade, e a predisposição genética também pode influenciar.
Ter um ou mais fatores de risco não significa que a pessoa necessariamente terá um AVC. No entanto, conhecer essas condições permite adotar medidas preventivas e manter o acompanhamento de saúde adequado.
Como prevenir o AVC?
Embora nem todos os casos possam ser evitados, controlar os fatores de risco e adotar hábitos saudáveis ajuda a reduzir a probabilidade de um AVC.
A prevenção envolve cuidados contínuos, e não apenas mudanças pontuais na rotina.
1. Controle a pressão arterial
A hipertensão é um dos principais fatores de risco para o AVC, inclusive quando não provoca sintomas perceptíveis.
Por isso, medir a pressão regularmente, seguir as orientações médicas e utilizar corretamente os medicamentos prescritos são medidas importantes.
Não interrompa o tratamento por conta própria, mesmo quando os valores da pressão estiverem controlados.
2. Mantenha uma alimentação equilibrada
Uma alimentação saudável contribui para o controle da pressão arterial, do colesterol, da glicose e do peso corporal.
Priorize:
- Frutas e vegetais variados.
- Legumes, feijões e outras leguminosas.
- Cereais integrais.
- Fontes de proteínas adequadas às suas necessidades.
- Alimentos frescos ou minimamente processados.
Também é importante moderar o consumo de sal e reduzir a frequência de alimentos ultraprocessados ricos em sódio, gorduras saturadas e açúcares adicionados.
3. Pratique atividade física regularmente
A prática de exercícios contribui para a saúde cardiovascular, ajuda no controle da pressão arterial e favorece a manutenção de um peso saudável.
Caminhada, bicicleta, dança e outras atividades compatíveis com a condição física individual podem fazer parte da rotina.
Para adultos, a Organização Mundial da Saúde recomenda, em geral, pelo menos 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, ou uma quantidade equivalente de atividade vigorosa, respeitando as condições individuais.
Se você tem alguma doença crônica ou pretende iniciar uma rotina de exercícios após um longo período de sedentarismo, converse com um profissional de saúde.
4. Não fume
O tabagismo prejudica os vasos sanguíneos e aumenta o risco de AVC e outras doenças cardiovasculares.
Parar de fumar é uma medida importante para proteger a saúde, independentemente da idade ou do tempo de uso do cigarro.
Evitar a exposição à fumaça do tabaco também faz parte desses cuidados.
5. Controle o diabetes e o colesterol
O acompanhamento periódico permite identificar alterações e ajustar o tratamento quando necessário.
Pessoas com diabetes, colesterol elevado ou outras condições que aumentam o risco cardiovascular devem seguir as recomendações individualizadas de seus profissionais de saúde.
O uso correto dos medicamentos prescritos, associado a hábitos saudáveis, pode ajudar a reduzir complicações.
6. Cuide da saúde do coração
Algumas alterações cardíacas, especialmente a fibrilação atrial, aumentam o risco de formação de coágulos que podem chegar ao cérebro.
Manter consultas e exames em dia ajuda a identificar essas condições e a avaliar a necessidade de tratamento preventivo.
Medicamentos anticoagulantes ou antiagregantes podem ser indicados em situações específicas, mas não devem ser utilizados por conta própria.
7. Evite o consumo excessivo de álcool
O consumo excessivo de bebidas alcoólicas está associado ao aumento do risco de AVC e de outros problemas de saúde.
Evitar o consumo ou conversar com um profissional sobre como reduzi-lo são atitudes que podem contribuir para a prevenção.
Qual é o papel dos medicamentos e dos suplementos na prevenção do AVC?
O tratamento de condições como hipertensão, diabetes, colesterol elevado e determinadas doenças cardíacas é fundamental para reduzir o risco de AVC.
Os medicamentos devem ser escolhidos e ajustados por profissionais habilitados, considerando o histórico clínico e as necessidades de cada pessoa.
Em relação aos suplementos, é importante ter cautela.
Vitaminas, minerais e outros produtos não substituem o controle da pressão arterial, o tratamento do diabetes, o acompanhamento do colesterol ou os medicamentos prescritos para prevenir eventos cardiovasculares.
A suplementação pode ser indicada quando existe uma necessidade nutricional específica, mas não deve ser apresentada como uma forma comprovada de prevenir o AVC em qualquer pessoa.
Na Farma Ponte Manipulação, nossa equipe farmacêutica pode esclarecer dúvidas sobre fórmulas manipuladas, composição dos produtos, uso correto e possíveis interações com medicamentos.
O objetivo é contribuir para o uso consciente e seguro dos produtos, sempre respeitando a prescrição e a orientação dos profissionais responsáveis pelo cuidado de cada paciente.
Reconhecer os sinais do AVC pode salvar vidas
O AVC é uma emergência médica em que o tempo faz diferença. Alterações súbitas na fala, fraqueza em um lado do corpo, assimetria facial, perda de equilíbrio ou mudanças repentinas na visão exigem atenção imediata.
Se houver suspeita de AVC, ligue para o SAMU (192) imediatamente. Não espere os sintomas passarem.
Para prevenir a doença, manter a pressão arterial controlada, cuidar da alimentação, praticar atividade física, não fumar e acompanhar condições como diabetes e colesterol elevado são medidas importantes.
Cuidar da saúde também envolve utilizar medicamentos e suplementos de maneira consciente e com orientação profissional.
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Referências
1. Ministério da Saúde — Acidente Vascular Cerebral (AVC)
2. Ministério da Saúde — Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192)
3. Organização Mundial da Saúde (OMS) — Stroke
4. Ministério da Saúde — Protocolo de Suporte Avançado de Vida: AVC

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